Seja Bem vindo!!
Esse é um espaço onde tenho o compromisso e a obrigação de colocar minhas opiniões para aprofundar os mais diversos assuntos, tais como análise político-eleitoral, resenhas de livros e filmes, entre outros, porque apenas com o debate, e a exposição de opiniões contrárias o ser humano pode chegar a suas próprias conclusões. aqui meu lema é: " Não escrevo o que querem ler, mas o que deve ser lido". tenha uma boa leitura, e fique a vontade para comentar.
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
O Soldado e o Tiro no Pé.
Nesta semana, nossa cidade segue suas comemorações do dia do seu patrono, Duque de caxias, ao passar pelo centro de nossa querida cidade, podia-se ver ( Antes dessas comemorações)), o Tomógrafo Móvel, localizado na Praça do Pacificador, no entanto, este importante serviço de saúde oferecido gratuitamente à nossa população fora despejado, dando lugar á dois veteranos blindados e meia dúzia de soldados, que por sua vez, teve suas atenções usurpadas pelo tradicional "mágico" e vendedor de sabão que encanta seu público em troca de uns trocados, com seu malabarismo e histórias intermináveis. Enquanto os soldados eram ignorados completamente pelo público, , desinteressado em seus blindados tão enferrujados quanto a tradição que os mantêm como alegorias caras, penso com meus botões, se não teria sido um verdadeiro tiro no pé essa troca. Quanto mais estudamos a biografia de nosso patrono, menos razões temos para comemorar. ( ainda mais, sendo esse feriado apenas mais um domingo).
domingo, 7 de abril de 2013
Resenha do Filme “Apocalypto”
“Uma
grande civilização não pode ser conquistada até que tenha se destruído por
dentro.” Essa frase, do historiador norte-americano William James Durant (5 de
novembro de 1885 – 7 de novembro de 1981) resume por si só essa produção do
cinema, lançado nas telas brasileiras em 26 de janeiro de 2006, dirigido pelo
ator e diretor Mel Gibson.
Narra
uma história que tem como cenário a Península de Iucatâ (Estende-se pelo atual território do México, Cuba e
Guatemala) Antes da colonização espanhola e durante a civilização Maia ( já em
decadência).
Um
dos personagens em destaque é o nativo Jaguar Paw (interpretado pelo ator
nativo americano e texano Rudy Young Blood), um integrante de uma comunidade
rústica, filho do líder de sua aldeia e um especialista na arte da caça.
Utiliza-se de ferramentas moldadas pela própria natureza, como folhas, galhos
de árvores, e até mesmo o veneno extraído da pele de um sapo para tornar suas
zarabatanas em armas mortais. Sua “tribo” tem uma estrutura social bastante
simples e primitiva, (aos olhos de nossa visão contemporânea). Vive numa
comunidade pacífica, Com sua crença religiosa baseada nos espíritos defensores
da natureza. Sua história, suas raízes e seus costumes passados oralmente,
contadas pelo ancião aos mais jovens. A “posse” de seu vasto território é
justificada usando-se de sua ancestralidade (seus antecedentes que ali
habitavam desenvolvendo suas atividades como a caça, a pesca etc, e, que seus
descendentes perpetuarão essa tradição).
A
pacata comunidade de Jaguar Paw acaba sendo atacada, dominada, capturada e
escravizada por uma tribo desconhecida, com uma organização social mais
elaborada e deuses mais exigentes que os seus*.
Armas
de metal, vestimentas mais ornamentadas, cidades com construções mais bem
elaboradas e já com o uso de pedra para erguer seus templos e palácios. Esse
povo, que segundo o filme, seria a civilização Maia, passava por uma série de
dificuldades como doenças, seca e plantações destruídas que eram atribuídas a fúria
dos seus deuses.
Parte
dos conterrâneos de Jaguar Paw foi comercializada como escravos, pois seus
raptores não os viam como pertencentes ao seu grupo social, sendo
inferiorizados, outros, inclusive nosso herói, foram escolhidos para uma função
mais nobre e digna de legítimos guerreiros, aos olhos de seus carrascos, que
seria de amenizar a ira dos seus deuses para que o liberassem dessas duras
mazelas.
O sacrifício
humano seria usado para que seus deuses lhe devolvessem a prosperidade. No
entanto, momento de um dos sacrifícios ocorreu um eclipse solar, que foi
interpretado pelo sacerdote como a satisfação divina, liberando os demais.
Todavia, para que sua liberdade fosse devolvida, teriam que sobreviver a uma
última aprovação. Vários companheiros do nosso herói foram mortos, mas ele
sobreviveu, e mesmo perseguido, voltou para sua floresta e para sua família bem
a tempo de testemunhar a chegada em seu litoral de estranhas naves, os europeus**.
Com uma conjuntura fragmentada da sociedade pré - cabralista não foi difícil
esses “extraterrestres” dominarem suas terras, tornando o verdadeiro paraíso
num inferno de guerras mais bem armadas e elaboradas e deuses cruéis, mas isso,
é uma outra história. Fim?
Resenha do Filme “10.000 ac”
Filme
norte americano lançado em 2008, estrelado por Steven Strait e Camila Belle, e
dirigido por Roland Emmerich. Orçado em 105 milhões de dólares, arrecadou cerca
de US$ 269.784.201.
O
filme tem como seu principal personagem o caçador D’Leh, um jovem que habitava
uma aldeia isolada no alto de uma cordilheira.
O
site “Yahoo” colocou o filme no topo da lista dos “os 10 filmes mais
historicamente imprecisos”. Cenas como a dos mamutes utilizados na construção
das pirâmides do Egito (Esse animal era nativo da América do Norte e do Norte
da Ásia e não poderia ser encontrado no deserto), as próprias pirâmides só
seriam construídas por volta de 2.500 ac. O uso de embarcações (que só seriam
usadas por volta de 3.500 ac.), a domesticação de cavalos, (que só teria se
dado também por volta de 3.500 ac), entre outras falhas grosseiras.
Apesar
dos “desencontros” entre o enredo e a historiografia, o filme, tal como o filme
Apocalypto, mostra o choque cultural entre dois povos distintos*. Caçadores
entram num encontro violento com guerreiros e precisam abandonar o isolamento e
começar a desbravar o mundo até então desconhecido para libertar seus
conterrâneos capturados.
As
diferenças ficam bem claras, Caçadores acostumados a usarem lanças apenas para
capturarem alimento contra guerreiros bem armados, que o filme chega a mostrar
espadas (que só seriam usadas a partir do terceiro milênio antes de cristo),
além do uso do arco e flecha e cavalos (mesmo tendo a controvérsia de que esses
animais só foram domesticados em meados de 3.500ac).
Enquanto
nosso herói vinha de uma comunidade simples, seus inimigos já tinham uma
organização social, arquitetura mais bem elaborada. Enquanto sua referência
religiosa baseava-se nas profecias de uma anciã, os Egípcios construíam templos
e adoravam seu rei como um deus.
Deixando
as polêmicas de lado, o filme mostra duas civilizações que têm suas próprias
profecias, cultura e armamentos. Onde a civilização, teoricamente mais evoluída,
lança mão do trabalho escravo daqueles menos evoluídos. Todavia, o caçador,
pressionado pelo contexto acaba se tornando um guerreiro destemido.
Em
sua jornada, reúne outras tribos que têm o mesmo inimigo, e a partir daí se
fortalece contra um governo dominado por um pseudo-deus o qual nosso herói
atira contra ele sua lança, matando-o.
O
filme vem de uma ideia do diretor de cavar as origens dos contos de heróis,
jovens comuns que salvam donzelas em perigo e mostra que nas dificuldades, o
mais simples e humilde dos homens pode se tornar num lendário líder e herói.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Dejavu?
Hoje, dia 28 de fevereiro de
2012, foi publicado no jornal Extra, na
página 15, uma entrevista com o atual presidente estadual do PMDB do Estado do
Rio de Janeiro Jorge Picciani.
Entre mágoas não resolvidas,
guardadas desde sua derrota para Lindberg Farias e Crivela para o Senado em
2010 e gargalhadas cínicas, seu foco agora é o movimento à nível Nacional do
PMDB em neutralizar o PT em alguns Estados importantes para a conjuntura
eleitoral, já com horizonte em 2014, a exemplo do próprio Estado do Rio de
Janeiro.
Uma caravana peemedebista promete
visitar a Presidente Dilma (PT) para lhe CHANTAGEAR ( uso essa palavra, pois
não encontro outra que defina essa atitude). Ou a Presidenta puxa a coleira e
corta as asas das grandes lideranças que têm projetos de serem Governadores de
Estados, ou, o PMDB ameaça um racha nas fileiras governistas, tirando seu apoio
e lançando carreira solo rumo a cadeira presidencial.
Do que o PMDB tanto reclama? Já
tem a Vice-presidência, vários ministérios (mais do que o próprio PT), as presidências
da Câmara Federal e do Senado, o que mais eles querem?
Caso a companheira Dilma se renda
a tais exigências, pode-se repetir o o cenário eleitoral que os petistas e (ex-petistas) conhecem muito
bem: A famosa intervenção de 1998.
Para os mais jovens (tanto de PT
quanto de existência), o cenário de 1998 foi o seguinte: O PT carioca elegeu de
forma democrática o fundador do partido
e histórico ativista político Vladimir Palmeira para concorrer o governo do
Estado. O PT nacional, na época, namorava a possibilidade do apoio de Leonel Brizola
(PDT) ao Lula (PT) para a presidência. O namoro não foi fácil. Como “dote”,
Brizola exigiu que o PT fluminense apoiasse seu rebento político Antony
Garotinho. O PT nacional, cedendo ao pedido, ajoelhou-se diante de seu
pretendente, com o PT do estado do Rio de Janeiro numa caixinha onde deveria conter
um belo par de alianças. O que nem o PT de Lula, nem o PDT de Brizola poderiam
imaginar, é que o fruto dessa união pudesse ser tão podre.
O filho revoltou-se contra seus
criadores. Ingênuos, criaram um monstro, tal como deus criou lúcifer e acabou por
alimentar seu próprio inimigo. Uma reviravolta, onde, dessa vez, o dragão
jogara todo seu peso e chamas contra São Jorge e seu belo cavalo branco.
Dilma e o PT nacional correm o
mesmo risco. O PMDB exige apoio do PT para se fortalecer contra o próprio PT,
enfraquecendo o partido de Lula e Dilma. Após alimentado, o PMDB quer devorar a
mão que o alimentou. Vale apena ver de novo? A história nos mostra nossos erros
para que não voltemos a cometê-los. Mais um “Dejavu” promete afirmar a
ciclicidade da política nacional. Como
dizia nossa Beth Carvalho: “ Você pagou com traição, a quem sempre lhe deu a
mão...”.
Emerson Torres – Graduando em
História, 2º período, FEUDUC.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Frutos da Solidão?
Num mundo distante,
sombrio e isolado, existia um ser que se denominava “supremo”, “poderoso”,
“onipotente” e “onipresente”, um ser que vivia numa imensa solidão, construindo
e destruindo planetas e estrelas para afastar o tédio. Certo dia teve uma
ideia, criar vida onde não existia nada, quem sabe assim sua solidão fosse
curada. Pegou um de seus planetas estéreis e vazios e o tornou num laboratório,
ou melhor, habitat para seus animais de estimação. Criou animais e plantas. Tal
como uma criança rebelde, infringia dor e sofrimento em suas criações, mas sua
natureza egocêntrica e psicótica não ficava satisfeita.
À noite, enquanto os
animais dormiam, pegou pra si partes de cada um deles: mãos e pés de um macaco
adormecido, olhos de uma águia, coração de uma serpente etc. Juntou todos os
pedaços num quebra-cabeças sangrento e monstruoso, mas ainda faltava uma
essência, que mais tarde chamaria de alma, lhe deu a essência, que um dia,
reivindicaria de volta. Viu dentro de si mesmo vários sentimentos, que se encontravam
em abundância em seu interior: egoísmo, prepotência, amor, ódio e os doou a sua
criação partes de cada um deles, estava sobrando mesmo, pensou ele. Fechou seus olhos enquanto cada parte se unia
a outra e tomando uma forma moldada em sua imaginação. Queria que se parecesse
com ele mesmo, tanto por fora quanto por dentro.
Ao abrir seus olhos, a
criatura estava viva, colocou-lhe a coleira da adoração e o soltou. Causava-lhe
sofrimento e dizia-se ser “o Demônio”, quando lhe dava paz e conforto, dizia-se
“Deus”. Pois esse ser era bipolar, psicótico e muito carente. A coleira da
adoração servia para que sua criatura sempre o adorasse e o venerasse, tal como
um cão que vem ao encontro de seu dono após um dia de trabalho. Orgulhoso com
seu feito, esse “Deus-Demônio” constatou que sua criatura estava só, demonstrava
um comportamento estranho, parecia estar no cio, então, observando que cada
animal tinha sua fêmea para copular e se reproduzir. Criou a mulher, e ofereceu
a sua criatura. Como que previsse seu futuro ajoelhou-se diante de seu “dono” e
perguntou: Que mal eu fiz para merecer tal castigo? Deus-Demônio respondeu: Se
reclamar mais crio a sogra!
Sobrenome: Preconceito.
O autor carioca Everardo P.
Guimarães, em seu livro “O Que é Etnocentrismo”, tendo sua primeira edição
publicada em 1984, tenta “traduzir” ou interpretar de forma bastante didática e
funcional esse termo adotado para descrever algo comum entre as sociedades: o
preconceito.
O que seria a palavra etnocentrismo
do que apenas o sobrenome, ou sinônimo, de outra palavra que também se encaixa
nas mesmas definições que a caracterizam? Quando observamos outras sociedades,
outras culturas, outras organizações sociais com um olhar etnocêntrico,
utilizando-se de uma maneira evolucionista, linear, hierarquizada e tendo o
“outro” como ser menos civilizado e mais “selvagem”, estamos apenas usando as
lentes do preconceito para observá-lo.
O preconceito, como a própria
palavra auto-define, é ter um conceito predeterminado por questões que sequer
conhecemos. Os estudiosos do século XVI não estavam preocupados em estudar
profundamente as sociedades ou comunidades que eles consideravam abaixo nessa
hierarquização social. Normalmente, eles só se preocupavam em tentar
compreender “o outro” quando havia um interesse maior que motivasse tal
pesquisa. Seja, por exemplo, para explorar a mão de obra dos nativos pré-
colombianos, sua catequização ou simplesmente explorar suas riquezas naturais.
O etnocentrismo é constantemente
abordado na ficção. O filme “Avatar”, por exemplo, na minha humilde opinião,
pode ser um exemplo bem típico: “eu”, o ser civilizado e superior, estabeleço
contato com “o outro”, lhe ensino minha cultura, que acredito servir para lhes
tirar do estado selvagem, aprendo seus hábitos, mas tudo motivado por um
interesse maior, que é o de explorar seus valiosos e raros recursos naturais.
Este termo, segundo o próprio
autor, só começa a ser “exorcizado” no século XX, mesmo que de forma tímida, pois
até hoje este “fantasma” nos assombra. Porém, o campo da antropologia tem um
papel fundamental para tentarmos compreender o “outro” não com uma visão de
melhores ou piores que nós mesmos, apenas diferentes, com suas próprias
crenças, valores, princípios éticos e políticos. Somos tão estranhos a eles,
que eles são para nós.
Lembro-me, no início do curso,
quando o professor Raphael Almeida, nos trouxe para a aula de Antropologia o
texto de Horace Miner “As práticas Mágicas entre os Naciremas”, como a turma
ficou perplexa ao ler uma transcrição de comportamentos tão estranhos a nós, no
entanto, um dia nos chega a revelação de que aquelas práticas tão estranhas e
assustadoras se tratava de um diálogo descrevendo nossos próprios hábitos, como
se fossem descritos com base numa observação do “outro” sobre nosso próprio
comportamento. Da mesma forma que avaliamos, julgamos e criticamos os hábitos e
costumes do “outro”, ele também faz o mesmo sobre nós, somos “alienígenas” em
sua própria concepção de mundo.
Este termo perde um pouco de sua
força quando percebemos que tentar classificar uma determinada sociedade com um
olhar evolucionista, linear e distante é errônea, pois as culturas são
multilineares e estão constantemente em ebulição, se hibridizando, se transformando,
se adaptando dependendo de seus próprios fatores, seus próprios reagentes
sociais. O Pensamento etnocêntrico apenas favorece seus próprios defensores,
que sem ele têm dificuldade de visualizar um mundo plural, multicultural e que
não existam etnias superiores ou inferiores. Franz Boas, segundo o autor, nos
deixa mais perguntas do que respostas, levanta mais hipóteses do que realmente
afirma conceitos. Mas defendia que o “outro” também tem direito de escrever sua
própria história, sem que necessariamente ela se cruze com a nossa.
Enfim, concordando com o autor, o grande
salto rumo a ruptura do pensamento etnocêntrico é dado por Malinowski,
abandonando o conforto dos gabinetes e mergulhando no mundo do “outro” através
do Trabalho de Campo. Se aprofundando na cultura e no espaço geográfico em que
vivem, porém, segundo ele , não raramente, “a antropologia contraria sua
vocação de preservar a experiência da diversidade, quando a própria matéria é
forjada na ótica do “eu” tentando compreender o “outro””, mantendo a visão
hierarquizada. Enquanto o olhar preconceituoso sobre o outro existir, haverá
etnocentrismo e vice versa. Quando o Homem for capaz de ver seu próximo,
respeitar sua cultura e seus ritos estaremos, enfim, num mundo ideal.
Nem tudo que reluz é ouro.
O autor paulista José Luis dos
Santos, em seu livro “O que é cultura”, publicado pela editora brasiliense,
tendo sua primeira edição lançada em 1983, narra a importância da cultura na
evolução, transformação e criação de uma identidade própria dos mais diversos
grupos sociais.
O estudo da cultura e sua diversidade
contribuem para que cada grupo acabe respeitando as demais manifestações
culturais. Combatendo o preconceito e o distanciamento provocado pelo mesmo. O
autor também levanta uma questão importante, o porquê da variação das mais
diversas expressões culturais e qual o sentido dessa variação. Também comenta a
tentativa de hierarquizar as mais diferentes culturas, tendo como base uma
visão eurocêntrica, onde as tribos brasileiras, por exemplo, seriam
classificadas como “selvagens” enquanto o próprio europeu seria classificado
como “civilizado”, o mais alto nível hierarquia. O que acabava contribuindo
para justificar a superioridade europeia e seu domínio, numa visão racista e
etnocêntrica.
O autor aborda o conceito cultura de uma
forma genérica, como tudo que caracterize uma população humana, suas
manifestações religiosas, seus ritos, suas músicas, sua forma de dominar a
natureza. Algumas das características básicas de cultura foram utilizadas no
século XIX, adotando uma visão laica de mundo social e que a cultura é o que
nos diferencia dos demais animais: tudo que é humano é cultura. O seu estudo
aprofundado serve tanto à interesses de unificar uma nação que politicamente
não apresenta tal unidade, mesmo possuindo uma identidade cultural em comum,
como a Alemanha do Século XIX, quanto o objetivo de explorar ou dominar
sociedades que estão, segundo seu ponto de vista etnocêntrico, abaixo na escala
da evolução social. Pois, não existe forma mais enraizada de dominação do que
inserir, mesmo que através de processos conflituosos ou midiáticos, sua cultura
numa determinada sociedade (língua, música, comportamento...). Cito, como
exemplo, a obrigatoriedade do ensino da língua inglesa nas escolas (o dominando
sendo “adestrado” pelo dominador). Conclui-se então, que cultura é a dimensão do
processo social, da vida, de uma sociedade, sendo “um produto coletivo da vida
humana”.
Por mais sólidos que sejam seus
argumentos para definir o que seja cultura, tanto erudita quanto popular, certa
manifestações que para ele se classificam ou se rotulam como cultura, eu
discordaria profundamente, é o caso, por exemplo, do movimento “Funk”, que
recentemente foi “legitimado” pela Assembleia Legislativa do estado do Rio de
Janeiro como sendo um movimento cultural. Como pode um estilo de “música” sem
musicalidade, com letras carregadas de pornografia, apologia a facções
criminosas, ao uso de drogas, a precocidade sexual, com “intérpretes” que
sequer sabem cantar ser chamado de cultura? Esta “cultura” se enquadra melhor
em artigos de nosso defasado código penal, e não na academia brasileira de
letras. Mesmo sendo um traço social de um determinado grupo social (Bandidos,
traficantes, presidiários, assassinos...). Nem toda definição reflete a
realidade, nem todo conceito se adapta ao objeto estudado, Nem tudo que reluz é
ouro.
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